quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O CUCKOLD ou CORNO MANSO



Depois de anos resolvi tirar a poeira do blog e dos meus dedos e ativar o blog novamente, me surpreendi com a quantidade de mensagens que sempre me pediam para retornar com as postagens pois, no começo as fazia como um hobbie, um estudo solitário nas horas vagas. Então atendendo a pedidos tentarei postar uma nova matéria toda sexta. Por isso se programe.
  Tenho um casal de amigos que a muito tempo tinham uma tara em comum, um terceiro membro na hora do sexo mas não era uma mulher como muitas mulheres esperam ser de desejo de seus marido e sim, um homem. O marido de Bruna começou a descobrir um novo desejo sexual, ver sua amada sendo fodida por outro homem. Quando se desenvolveu essa tara? vamos lá.
   Bruna antes de namorar com Pedro (estão juntos a 5 anos) já havia transado com muitos outros caras, já havia tido muitos outros relacionamentos até encontrar Pedro. Pedro era um rapaz estudioso, técnico em computação e nas horas vagas guitarrista de uma banda e claro, teve apenas dois relacionamentos antes de Bruna ao qual, só um deles houve sexo.
   Nas primeiras semanas de namoro com Pedro, Bruna não fez rodeios e logo puxou seu futuro marido para transar. Nas primeiras semanas tudo era maravilhoso até que Bruna descobriu que Pedro era extremamente ciumento, veio até mim e me perguntou o que poderia fazer. Como amigo dei o pior conselho que se poderia dar, "conte suas experiencias sexuais passadas a cada vez que for transar". A principio ela achou que fosse um absurdo mas, chutei que esse ciúmes do passado acabasse se tornando uma pimenta a mais na relação dos dois, se tornando uma tara dele.... acertei. Em menos de 6 meses Pedro começou a se masturbar pelas histórias de transas passadas de sua esposa e com isso se tornando uma vontade de vê-la sendo possuída por outro. Mas será que isso é algo tão estranho assim e anormal? a resposta é NÃO.

NÃO É TRAIÇÃO



  De acordo com o wikipedia o termo Cuckold  vem do inglês cuckoo e faz referência à ave enganada pelo cuco a incubar os seus ovos e criar os seus filhotes. O termo em inglês foi adaptado do seu significado normal, que significa corno. Assim, uma pessoa "cuckold" é aquela que gosta de imaginar, de saber ou de ver, o próprio companheiro tendo prazer com outra pessoa (ou pessoas). Pode ter origem em diferentes interesses passando pelo prazer no ciúme, submissão, humilhação, prazer e medo da traição, voyerismo.  
   Curiosidades etimógicas da palavra à parte, a verdade é que a cornitude, ou melhor dizendo, a virtude de ser corno é um fetiche sexual como qualquer outro fetiche. Neste caso, o cuckold tem um tesão elevado a altos níveis cada vez que sabe ou vê que sua mulher esteve ou está fudendo com outros machos.O cuckold se diferencia do voyeur típico, porque o voyeur tem seu tesão elevado quando ele vê qualquer pessoa fazendo sexo. Já o cuckold, não é qualquer pessoa que ele quer ver;o seu tesão é em ver sua namorada ou esposa sendo comida e tendo prazer com outro. A sua mulher sentindo prazer sexual é o seu objeto de fetiche, a mulher do cuckold é a sua fêmea-rainha, é a sua fonte de prazer. É um fetiche delicioso que envolve, além do corno,  outros dois personagens: a esposa ou namorada infiel e o varão comedor da mulher do outro. Sem um desses três personagens essa fantasia não se completa.
    É muito raro de se encontrar uma mulher cuckold, mas há. Porém, esse fetiche é muito comum nos homens. É grande o número de homens que sente um imenso tesão só em imaginar sua mulher sendo comida por outro; acontece que a maioria desses homens costumam esconder esse desejo a sete-chaves, outros chegam até reprimi-lo com certa violência e acabam até batendo nas esposas, quando em realidade querem esconder de si mesmos que tiveram tesão diante da hipótese de uma traição. Em verdade, esses homens não conseguem romper com os ditames sócio-culturais com que foram criados e acabam não conseguindo lidar bem com seus desejos secretos.
    É muito mais fácil um gay assumir em sociedade sua preferência homossexual do que um cuckold assumir perante amigos e família que gosta de ser corneado. A traição é tão antiga quanto a espécie humana, porém, vivemos numa sociedade hipócrita, com a hipocrisia tão antiga e cristalizada quanto a idade da espécie humana.Entretanto, em algumas culturas a prática cuckold é tida como normal. Os esquimós, por exemplo, têm por costume oferecer sua esposa para transar com o viajante que se hospeda em seu iglu. Infelizmente na nossa cultura ocidental-cristã uma mulher infiel leva a pecha de prostituta e o corno, quando manso, é mais apedrejado que a adúltera. Pura hipocrisia social!

O PERFIL DO CUCKOLD



Muito se lê na internet sobre casais liberais onde a mulher dá para todo mundo, em qualquer lugar, para amigos do marido , vizinhos e pessoas próximas da vida social do casal. Bem, isso pode acontecer em raros casos, mas a prática geral não é essa. Geralmente o casal mantem uma vida dupla, uma social onde se preserva valores "considerados socialmente" corretos e outra onde se realizam as fantasias sexuais. Desta forma tem-se dois círculos de amizades distintos e que não se comunicam, protegendo principalmente filhos e familiares.
A verdade absoluta é:
      Homens com perfil de Corno Manso (Cuckold) tem cotidiano absolutamente igual a qualquer outra pessoa. Ou seja, possuem cotidiano da vida familiar, profissional, tem responsabilidades sociais (tradicional), professam fé, e igualmente a todos nós convivem com preconceitos sociais.
O Cuckold é ativo e viril sexualmente, faz amor regularmente com sua amada (seja antes, durante ou depois do outro cara). Ocorre que, um Cuckold sente mais prazer em fazer amor depois que amada tenha feito sexo com outro macho. Via de regra, durante a transa o corno obedece o que a mulher manda. Ela pode barrar a qualquer instante as iniciativas dele e dar as ordens para ele só assistir, sair do local, ou fazer o que ela tiver vontade.
  Uma questão muito comum é “O corno quer que o comedor o coma também?”
Resposta: Esse é um dos maiores enganos em relação ao corno! Para o Cuckold autêntico, a sua satisfação está ligada ao prazer da sua mulher e a maioria os cornos são 100% heterossexual e não aceitam o Bissexualismo. Muito embora haja cornos bissexuais, mas são exceção.  Já os homens com afinidades com outros homens, não são Cuckold. Eles forjam uma situação cuckold porque, na realidade, estão na busca da sua satisfação homossexual e não da satisfação de sua mulher.

Os Cuckold são carinhosos, dedicados a amada, protetores, gostam de cuidar, são prestativos e estão sempre aptos a socorrer a amada. Em quase 90% dos casos, o Cuckold costuma ser fiel à sua mulher, o que a maioria dos homens comuns não são.
    Socialmente homens com perfil de Cuckold são subjulgados, desrespeitados  e motivo de piadas inconvenientes. Mesmo que quem pratique esse tipo de bullying um dia já tenha sido ou é chifrudo. A hipocrisia social é tanta que “se ninguém sabe o cara é fodão. Se a sociedade sabe o cara é um frouxo, babaca, fraco, capacho etc”. E por isso socialmente se preocupam com a imagem individual (dele e dela), assim como a imagem do casal. Pois, o tem consciência de que expor a intimidade do casal no circulo social é prejudicial (pela falsa moral social).    Cuckold não gosta de traição. A traição em geral leva o casal a brigas e separação. Cornos Mansos (Cuckold) aceitam diversas situações, as mais comuns são: Estar junto com a amada nas aventuras; consentir previamente a saída (transa) da amada (sózinha) com outro cara.

"Traição é o mesmo que enganar alguém, trapacear no relacionamento, mentir, excluir o parceiro."

Quando há honestidade na relação, cumplicidade, respeito entre o casal e principalmente quando há amor entre o casal não há traição, há consentimento, aí sim podemos dizer que aí se concretiza o “chifre”, objeto tão desejado de todo Cuckold.
Nenhum Cuckold pensa igual. Nem sempre gostam das mesmas coisas. Cada Cuckold tem sua particularidade em aceitar e sentir prazer no “chifre”.

O PERFIL DO COMEDOR



 Existem diversos tipos de comedores ou, o tipo de cara ao qual completará a tara do Cuckold,
     Machos fixos: o casal escolhe poucos parceiros para a esposa, desenvolvendo com cada um deles uma relação mais próxima, transando com certa frequência, muitas vezes tornando-se (quando ainda não são) até amigos da família. A desvantagem é que essas pessoas precisam ser muito confiáveis caso o casal deseje discrição e que esse estilo de vida não se torne público, além de ter que haver maturidade de todos para que não surjam sentimentos além de amizade nessa relação (pois amor de marido e esposa só deve ocorrer entre o casal original). A vantagem é que, por ser um “sexo estável” com essas poucas pessoas, com o tempo, caso sintam segurança e confiança para isso, podem todos os envolvidos realizar exames médicos periódicos, para garantir que ninguém tenha nenhuma doença sexualmente transmissível e então transarem com mais liberdade, até mesmo sem preservativos, pois o “comedor” será quase um “segundo marido” (mas sem sentimento de esposo envolvido). Outra vantagem é que por serem tão próximos, a esposa poderá sair com esse “amigo”, se encontrarem sempre (não só para sexo), trocarem favores e serem realmente como “melhores amigos, com o diferencial de transarem quando desejam”. É como um “amante com consentimento do marido”.



  Machos variados: o casal decide que não desejam vínculo com nenhum parceiro. Então procuram clubes liberais (como “casas de swing”), encontram um parceiro atraente para transar com a esposa e depois do sexo vão embora sem deixar nenhum contato. As desvantagens é que a mulher precisa aprender a se entregar a um estranho, além de ficar limitada durante a transa e ter que tomar ainda mais cuidados para realizar um sexo seguro. Também há limitação de local, pois não pode sair com um estranho em um lugar que não seja seguro. As vantagens é que o casal tem mais segurança para manter o anonimato, não precisam ficar procurando ou fugindo do “comedor” e não precisam ficar se preocupando com contatos frequentes para manter a “amizade colorida” como no primeiro caso.
    Aconselho escolher de inicio um cara legal e sigiloso, que não seja daqueles que espalha para todos, que não seja um cara do seu meio, pode até ser do dela, e claro que sua esposa sinta tesão nele.

E A PEÇA MAIS IMPORTANTE: ELA



Uma das maiores dificuldade de se tornar um corno, é convencer a esposa a entender que você simplesmente quer levar chifre.
    Geralmente os cornos começa a fantasiar isso durante as transas, ai depois de algum tempo a esposa começa a não gostar da ideia, achando que seu marido não a ama, e por isso quer que ela transe com outro, bem diante deste problema, o corno tem que ter muita paciência, contar isso para esposa pode e deve levar meses.
Em primeiro lugar, é preciso ter uma relação franca, na qual priorizem a sinceridade e confiança.
    A primeira abordagem é sempre a mais difícil. Afinal, como quebrar o gelo de contar para a parceira que você quer vê-la com outro cara? Se não tiverem nenhuma outra prática liberal anterior, dar o primeiro passo pode parecer mais complicado ainda. Uma dica para dar o primeiro passo: quando estiverem tendo uma conversa indecente, incentive-a a compartilhar suas fantasias mais secretas. Quando for a sua vez, conte sobre sua vontade.
   Se ela parecer meio receosa, achando que é uma espécie de “teste” para saber se ela quer transar com outros caras, seja sincero e desconstrua essa imagem. Descreva os detalhes, mostre-se animado com essa tara. Deixe bem explícito sua vontade e ela perceberá que não é nem de perto um teste.
   Dê detalhes, diga como imagina a cena. Foque no que mais te atrai nesta ideia e deixe a sua parceira perceber o quanto isso te excita. Caso ela se mostre predisposta a topar realizar esta fantasia, conte alguns detalhes quando estiverem transando e peça a ela para imaginar a cena e lhe contar. Construam essa fantasia juntos.


   Nunca tome a atitude de realizar você mesmo. A ideia é de deixar ELA tomar essa atitude. Só o  faça realmente se tiver certeza sobre o que quer, estabilidade e confiança no seu relacionamento, pois ela pode querer te larga por isso. Novamente ela vai ter uma crise de insegurança, e você tem que estar firme com ela, dizendo sempre que se ela não quiser fazer não tem problema, não force a barra de jeito nenhum.
    E pra finalizar, BRUNA e PEDRO o casal do começo dessa matéria realizaram no final do ano passado a fantasia. Foi com um amigo de Pedro e embora pedro nesses 5 anos já a tivesse traído antes umas 3 vezes, ela se manteve fiel e o perdoou. Entendo que realizar uma fantasia desse nível foi como uma lavada na alma de Bruna que, me confessou nunca ter sentido prazer igual e para Pedro, uma forma de recompensar pelos desvios 3 anos atrás. Mas enfim, hoje ambos continuam mantendo a prática e Pedro é fidelíssimo e feliz, e sexo não é isso, trazer felicidade?
Abraço a todos e até a próxima



Fontes: vivamaisprazer, domadoradecorno, seuprazer.net, revistadocorno, cristagostosaeliberal

sábado, 28 de abril de 2012

FANTASIAS SEXUAIS, relaxe e goze

Depravação? Libertinagem? Bizarrice? Longe disso: as fantasias sexuais são saudáveis. Anormal é não ter nenhuma.




Patrícia atinge rapidamente o orgasmo quando imagina estar sendo estuprada. Carlos gosta de pensar que está transando com uma garota de 16 anos. João vai às alturas quando pede para prostitutas urinarem nele. Para se excitar, Patrícia, Carlos e João lançam mão de fantasias sexuais. Você pode achar esses personagens um pouco pervertidos – fomos acostumados a pensar que tipos como eles devem carregar alguma patologia. Tente olhar no espelho: você nunca teve uma fantasia? Vamos lá: você prefere um companheiro(a) de coxas grossas e peito grande, ou um parceiro(a) frágil, minhonzinho? Você se liga mais numa figura que tome a iniciativa ou curte uma pessoa mais passiva? Temos preferência por traços físicos e temperamentais e isso não acontece por acaso. Elas também implicam alguma forma de fantasia. Em maior ou menor escala, quando o negócio é sexo, todos nós recorremos a fantasias, mundanas ou bizarras. O legal é saber como elas funcionam e tirar o maior proveito da situação.

Esse mundo onírico é criado por nós, voluntária ou involuntariamente, para compensar as forças negativas, “broxantes”, que brotam dos nossos medos, culpas ou preocupações. São sentimentos que a gente carrega desde a infância. Se você sente vergonha do seu corpo, por exemplo, fica difícil relaxar e curtir o sexo. Digamos que você se preocupe demais com o prazer do outro: o risco é esse tormento tomar conta e você esquecer o próprio tesão. Ou então vai que você se sinta um egoísta, ou até meio bruto, na hora do vamos ver: aí vem a culpa e derruba sua libido. Na cabeça, você ainda pensa em transar, certo? Mas o que fazer se um ou outro desses sentimentos joga o tesão para escanteio?

É aí que entram a Madonna, o Brad Pitt, as algemas, a roupa de couro... Com a fantasia, você “esquece” a vergonha, a preocupação ou a culpa. O funcionamento desse processo, segundo o psicanalista americano Michael J. Bader, autor de Arousal: The Secret Logic of Sexual Fantasies (Excitação: a lógica secreta das fantasias sexuais, ainda inédito no Brasil), é o seguinte: a fantasia ajuda a criar um ambiente no qual nos sentimos seguros para deixar aflorar nossa excitação. Segurança, como se sabe, é tudo o que sempre buscamos desde o nascimento. E segurança emocional é uma das metas mais preciosas. O conceito de segurança é a base da teoria da excitação sexual de Bader.

As fantasias, portanto, são saudáveis, libertadoras. “O fato de que atitudes não-convencionais como sadomasoquismo, exibicionismo ou fetichismo podem excitar algumas pessoas é uma prova do poder criativo da psique humana de dar prazer a si mesma das maneiras mais incomuns, enquanto se mantém protegida”, afirma Bader. O exercício da fantasia, no plano mental ou no plano prático, varia de pessoa para pessoa, mas ninguém ao certo sabe por que alguns indivíduos põem seus devaneios em prática e outros, não. Em parte, isso depende da densidade dos conflitos individuais e mesmo do grau de iniciativa de cada um. Mas, segundo o psicanalista, uma fantasia nem sempre deve redundar em uma experiência real.
No caso de partir para a prática, o ideal é que os parceiros tenham intimidade suficiente para se sentir à vontade – isto é, liberados para pensar na própria excitação, mesmo que isso acarrete ser rude, bruto. “A excitação sexual requer inerentemente uma capacidade de ser egoísta, de virar as costas para o bem-estar do outro, de ser todas as coisas que uma pessoa culpada cresceu acreditando serem ruins e perigosas”, diz Bader.

A teoria




  Afinal, o que há de tão ruim e perigoso na infância que devemos combater? Na infância, consolidamos o que Bader, citando o psicanalista Joseph Weiss, descreve como crenças patogênicas. São convicções irracionais, inconscientes, que agem contra nossos interesses – comportamentos autodestrutivos, por exemplo –, que introjetamos quando nos deparamos com o perigo de perder a proteção dos pais, seu amor. Desde cedo, fazemos de tudo para deixar nossos pais felizes e evitar assim uma eventual ruptura com eles. Por exemplo, se o pai é negligente, a criança sente ameaçada a ligação que os une. O que ela faz? Ela acaba mudando as únicas coisas sobre as quais tem controle: seus pensamentos e sentimentos. Ela tenta fazer o ambiente parecer normal para se sentir segura nele. No caso citado, ela passa a achar natural a falta do pai. “Ela passa a achar que solicitar uma atenção especial é proibido, é pedir demais”, diz Bader.
“Não só aceita a negligência, como faz parecer que a culpa é dela, não de seus pais. Parece que ela quer demais.” Assim, a criança busca manter a segurança no relacionamento familiar. “Essas experiências fazem surgir crenças patológicas que nos induzem a pensar que, se perseguirmos nossos objetivos, estaremos arriscando a ligação com nossos pais ou ameaçando nossa segurança psicológica”, afirma o psicanalista. É sabido, por exemplo, que crianças que sofrem abuso dos pais se negam a condená-los. Por quê? Isentando os velhos, não há como perdê-los.

A sensação de culpa é apenas uma dessas crenças patogênicas. Vergonha, rejeição, desamparo e autodestruição são outros sentimentos da lista. Há duas culpas mais comuns: a) de magoar a quem amamos se formos mais felizes ou mais bem-sucedidos que eles; b) de ferir ou esvaziar nossa família se a deixarmos.
O que isso tem a ver com sexo? Com maior ou menor intensidade, todo mundo revive o passado no presente. E, conforme a teoria de Bader, a excitação sexual depende da nossa capacidade de nos centrarmos em nós mesmos, de sermos momentaneamente egoístas. Mas como conseguir isso, se o nosso passado de culpas nos assombra nessa hora? Ao nos sentirmos culpados, nos inibimos, e aí a conquista do prazer vira um martírio.

Segundo o psicanalista, o apego aos próprios devaneios e, por extensão, uma certa “coisificação” do parceiro são necessários para a excitação – mas também é preciso pegar leve com esses sentimentos. Para atingir o prazer máximo, diz ele, o ideal é haver uma certa tensão entre ser egoísta e cuidadoso, entre usar o parceiro e dar prazer a ele. O problema surge quando um dos envolvidos não consegue nenhum grau de impiedade, de rudeza.

Fantasias mais comuns




Não há como associar automaticamente uma fantasia específica a um determinado conflito psicológico. Ainda assim, e mesmo advertindo que generalizações são um passo para o erro, Bader afirma ser possível estabelecer alguns padrões.

Preferências por tipos físicos


Homens altos: simbolizam força, alguém que dificilmente será ferido ou magoado e de quem o parceiro pode depender. Para uma mulher que suspeita poder esmagar um cara (em vários sentidos), esse atributo a deixaria bem mais tranqüila para curtir o próprio tesão.

Mulheres gordas: podem simbolizar fartura, abundância, fertilidade. Uma pessoa que se excita com esse biótipo imagina que a mulher tenha muito a dar, especialmente em atributos maternos; que seja alguém capaz de neutralizar seus sentimentos de privação. Para ele (ou ela), essa mulher pode ser uma pessoa tão cheia de recursos que é incapaz de ser ferida, daí mitigando seu sentimento de culpa. Ele (ou ela) também pode pensar: “Com esse tamanho, ela não tem do que reclamar...” e se sentir mais leve para se excitar.

Peitos grandes: também podem simbolizar a mulher com muito para dar, compensando sentimentos de privação e desligamento. Homens com certo desdém secreto por mulheres – que se sentem culpados por esse sentimento – podem inconscientemente exagerar sua admiração pelo atributo mais óbvio da feminilidade, os seios.

Pênis grande: esse fetiche simboliza, antes de tudo, força. Um homem forte neutraliza várias culpas. Mais: quando uma pessoa fala em “ser arrombada” ou “preenchida”, pode estar tratando com simbolismos de satisfação, abastecimento, cuidado – sensações que combatem sentimentos de privação.



Deformações, mutilações e invalidez: para homens, uma mulher inválida pode diminuir sentimentos de culpa inconsciente, uma vez que, já incapacitada, na fantasia ela não mais pode ser machucada. O processo mental que funciona aqui é o mesmo que se passa na cabeça de quem se excita com mulheres gordas: sem atrativos extras, as parceiras não teriam do que reclamar, deixando o homem com menos medo de rejeição. As mulheres que sentem atração por homens inválidos ou “defeituosos” se deixam levar pelo mesmo astral psicológico, com um adendo: homens incapacitados não podem feri-las, o que lhes permite se excitar em segurança.

Mulher que se excita com gays: ela pode se sentir sexualmente mais agressiva, já que supõe que sua iniciativa não terá reciprocidade. São mulheres que sentem medo de serem subjugadas ou rejeitadas e também de surpreender negativamente o homem com a força da sua sexualidade. Há ainda o fator desafio: a mulher se sente especialmente atraente se conseguir fazer um homossexual agir como heterossexual.

Voyeurismo
Olhar outros transando é só uma das maneiras de o voyeur se motivar. Ele pode se excitar com uma simples espiada por baixo da saia de garotas ou espreitá-las na intimidade. O que rola nesses casos? A excitação da “espiadinha” reside, primeiro, no fato de que aquilo é proibido. A mulher estaria entregando seus segredos. Segundo, o voyeur é um cara que pode carregar culpa por se interessar pelo corpo feminino: a mulher, na cabeça dele, se sentiria ofendida por tal demonstração. Sabendo que a moça não vai perceber o que ele faz – e assim não pode se opor –, a culpa vai para o espaço. Não só a culpa, mas também a rejeição pode ser o motor do voyeur. Algumas crianças acham que não são bem-vindas no contato com a mãe e sentem-se rejeitadas. Na fase adulta, esse sentimento é compensado pela espiadinha. Ou seja, é um momento roubado de uma mulher, antes negada a ele. Com o sentimento de rejeição neutralizado, a excitação ganha corpo.

Sexo grupal






O ménage à trois, com um homem e duas mulheres, é a forma de sexo em grupo mais conhecida, mas há inúmeras variações. O que se depreende do sexo em grupo é:
• A pessoa que fantasia está buscando atenção, portanto tentando derrubar a crença patogênica de que não merece ser admirado, amado.
• O fato de transar com vários ao mesmo tempo pode mitigar o sentimento de culpa que algumas pessoas têm por sobrecarregar o parceiro com seu apetite sexual.
• Com a presença de dois homens, a suposta responsabilidade de satisfazer a mulher é dividida.
• Se a responsabilidade de um parceiro sobre o prazer sexual do outro diminui, o perigo de rejeição cai na mesma proporção.
• Quando um homem assiste a uma cena lésbica, ele não está diretamente envolvido, portanto ele não corre o risco de falhar.
• Se um homem ou mulher tem desejos homossexuais, mas se sente culpado por isso, olhar ou participar de sexo grupal pode ser um caminho para driblar essa culpa.
Todas essas situações favorecem a segurança psicológica do integrante, o que o libera para sentir prazer.

Homem que veste calcinhas
É provável que ele esteja tentando superar a culpa por exercer algum poder, por exercer sua masculinidade. E por que se sente culpado dela? Talvez por ter crescido com um pai fraco ou inútil ou uma mãe infeliz e invejosa dos homens. Quando criança, pode ter encontrado dificuldade para sentir orgulho da sua masculinidade, pois inconscientemente estaria magoando seus pais. Por exemplo, um filho pode crescer culpado por se sentir superior a uma mãe sobrecarregada ou oprimida, e, mais tarde, às mulheres em geral. E como vestir calcinha resolve o pepino? Por um processo chamado pelos psicanalistas de “identificação com a vítima”. Como a masculinidade em vários momentos tem sido equiparada ao ato de oprimir a mulher, as calcinhas fazem esse homem assegurar às mulheres – originalmente sua mãe – que ele, em particular, não é superior. Com a culpa aliviada, a ereção começa a surgir.

Fraldas e comportamento de bebê
Sabe-se que um bebê deve receber atenção e tem o direito de ser egoísta. Sim, mas o que isso tem a ver com um cara ou uma mulher que gosta de vestir fraldas e de ser tratado como bebê (os homens, até mesmo, mamando)? A chave está na ausência de responsabilidade – especialmente a de fazer a mulher feliz, meta que pode ser pesada e angustiante. Quando “amamentado”, o homem se sente numa situação psicológica confortável para pedir e receber algo de uma mulher – sem culpa ou vergonha.

Exibicionismo






Por que, afinal, filmar a própria transa ou se exibir para uma câmera excita? Porque a pessoa se sente gratificada pela atenção. Aqui, identifica-se uma tentativa de controlar sentimentos de rejeição e descaso. Uma pessoa que não foi o foco da atenção dos pais, por exemplo: ser olhada por uma câmera compensa a sensação de que não é merecedora de atenção, o que lhe permite o florescimento do tesão.
No caso dos flashers (homens exibicionistas que gostam de chocar mostrando a genitália a mulheres), a coisa é uma pouco diferente. O cara pode estar querendo controlar justamente sua vergonha. Como? Da mesma forma que gente que sente medo de altura salta de bungee jump para domar seu temor. O sujeito que mostra o pênis – a fonte da sua vergonha, insegurança – pode estar tentando controlá-la. Uma segunda leitura sugere que exibicionismos desse tipo podem ser um ato de compensação pelo fato de o sujeito ter sido rejeitado ou não ter recebido a devida atenção dos pais. Com um “flash” da sua genitália, ele provoca choque, nojo e medo da mulher. Deixa de ser, ainda que por alguns momentos, invisível ou negligenciado. A partir daí, se sente seguro para se excitar.

Estupro






Mais comum nos homens, a fantasia do estupro ocorre de duas maneiras. Na primeira, a mulher a princípio luta contra a agressão, depois acaba gostando e goza. O significado: o “estuprador” está tentando controlar sentimentos de culpa por magoar ou ferir outras pessoas, geralmente mulheres. Ele cria uma fantasia em que parece estar machucando a parceira, mas, na realidade, não está – afinal, ela aceita a agressão e não se fere. A outra forma de fantasia com estupro não depende da excitação da mulher. A carga erótica é justamente depositada na agressão. O estuprador se excita não porque supera a culpa, mas porque tem o poder de ferir e amedrontar a mulher. Essa pode ser a fantasia que motiva a maioria dos estupros reais. Nesse caso, ocorre o que os psicanalistas chamam de “identificação com o agressor”.
O estuprador, na fantasia ou na realidade, está fazendo à mulher aquilo que ele já vivenciou, de alguma maneira. Ao se tornar o agressor, ele pode sentir-se momentaneamente aliviado do medo e do desamparo (de que foi vítima), que são inimigos da excitação.

Mestre e escravo
É uma fantasia similar à do estupro – isto é, o mestre age de forma egoísta e rude, sem conseqüências negativas, sem dor de consciência e superando a culpa, já que a vítima também fica excitada. Mas aqui há uma outra dinâmica, crucial em qualquer relação sexual: o mestre e o escravo dão um ao outro uma atenção e um reconhecimento especial, que neutralizam a eventual sensação de alguém se achar pouco importante (resultado de rejeição, por exemplo). Mesmo o escravo, que prefere receber atenção negativa a ser ignorado.

Estupro coletivo
Filmes pornográficos abusam dessa fantasia. Aqui, vê-se a mesma fonte libertadora da excitação sexual: a segurança. A responsabilidade se transfere do indivíduo para o grupo. Na fantasia, ao contrário da violência levada à prática, o estupro se torna um ato consensual entre uma mulher promíscua e vários homens. E isso é o que deixa os homens à vontade para expressar a sua sexualidade sem medo de ferir a mulher.

Escatologia
Alguns homens sentem-se excitados sexualmente pelo fato (real ou imaginário) de alguém, normalmente uma mulher, urinar (golden shower) ou defecar (brown shower) sobre eles. Um garoto que cresce sentindo-se culpado por desprezar a mãe ou se envergonhar dela reverte essa situação dolorosa ao expor a si próprio como objeto de desprezo e degradação. Urina e fezes são a representação simbólica do sentimento de hostilidade que uma vez foi dirigido a uma mulher, mas agora estão sendo recebidos de uma mulher.



Resumindo: nos jogos amorosos, vale tudo para vencer os medos e sentimentos broxantes. E, convenhamos: depois de ver os caminhos que a excitação de cada um percorre para vencer o medo e a culpa, aquela sua fantasia já não parece tão estranha ou merecedora de culpa, não?

Fonte;Superinteressante de 2002.
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