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sábado, 28 de abril de 2012

FANTASIAS SEXUAIS, relaxe e goze

Depravação? Libertinagem? Bizarrice? Longe disso: as fantasias sexuais são saudáveis. Anormal é não ter nenhuma.




Patrícia atinge rapidamente o orgasmo quando imagina estar sendo estuprada. Carlos gosta de pensar que está transando com uma garota de 16 anos. João vai às alturas quando pede para prostitutas urinarem nele. Para se excitar, Patrícia, Carlos e João lançam mão de fantasias sexuais. Você pode achar esses personagens um pouco pervertidos – fomos acostumados a pensar que tipos como eles devem carregar alguma patologia. Tente olhar no espelho: você nunca teve uma fantasia? Vamos lá: você prefere um companheiro(a) de coxas grossas e peito grande, ou um parceiro(a) frágil, minhonzinho? Você se liga mais numa figura que tome a iniciativa ou curte uma pessoa mais passiva? Temos preferência por traços físicos e temperamentais e isso não acontece por acaso. Elas também implicam alguma forma de fantasia. Em maior ou menor escala, quando o negócio é sexo, todos nós recorremos a fantasias, mundanas ou bizarras. O legal é saber como elas funcionam e tirar o maior proveito da situação.

Esse mundo onírico é criado por nós, voluntária ou involuntariamente, para compensar as forças negativas, “broxantes”, que brotam dos nossos medos, culpas ou preocupações. São sentimentos que a gente carrega desde a infância. Se você sente vergonha do seu corpo, por exemplo, fica difícil relaxar e curtir o sexo. Digamos que você se preocupe demais com o prazer do outro: o risco é esse tormento tomar conta e você esquecer o próprio tesão. Ou então vai que você se sinta um egoísta, ou até meio bruto, na hora do vamos ver: aí vem a culpa e derruba sua libido. Na cabeça, você ainda pensa em transar, certo? Mas o que fazer se um ou outro desses sentimentos joga o tesão para escanteio?

É aí que entram a Madonna, o Brad Pitt, as algemas, a roupa de couro... Com a fantasia, você “esquece” a vergonha, a preocupação ou a culpa. O funcionamento desse processo, segundo o psicanalista americano Michael J. Bader, autor de Arousal: The Secret Logic of Sexual Fantasies (Excitação: a lógica secreta das fantasias sexuais, ainda inédito no Brasil), é o seguinte: a fantasia ajuda a criar um ambiente no qual nos sentimos seguros para deixar aflorar nossa excitação. Segurança, como se sabe, é tudo o que sempre buscamos desde o nascimento. E segurança emocional é uma das metas mais preciosas. O conceito de segurança é a base da teoria da excitação sexual de Bader.

As fantasias, portanto, são saudáveis, libertadoras. “O fato de que atitudes não-convencionais como sadomasoquismo, exibicionismo ou fetichismo podem excitar algumas pessoas é uma prova do poder criativo da psique humana de dar prazer a si mesma das maneiras mais incomuns, enquanto se mantém protegida”, afirma Bader. O exercício da fantasia, no plano mental ou no plano prático, varia de pessoa para pessoa, mas ninguém ao certo sabe por que alguns indivíduos põem seus devaneios em prática e outros, não. Em parte, isso depende da densidade dos conflitos individuais e mesmo do grau de iniciativa de cada um. Mas, segundo o psicanalista, uma fantasia nem sempre deve redundar em uma experiência real.
No caso de partir para a prática, o ideal é que os parceiros tenham intimidade suficiente para se sentir à vontade – isto é, liberados para pensar na própria excitação, mesmo que isso acarrete ser rude, bruto. “A excitação sexual requer inerentemente uma capacidade de ser egoísta, de virar as costas para o bem-estar do outro, de ser todas as coisas que uma pessoa culpada cresceu acreditando serem ruins e perigosas”, diz Bader.

A teoria




  Afinal, o que há de tão ruim e perigoso na infância que devemos combater? Na infância, consolidamos o que Bader, citando o psicanalista Joseph Weiss, descreve como crenças patogênicas. São convicções irracionais, inconscientes, que agem contra nossos interesses – comportamentos autodestrutivos, por exemplo –, que introjetamos quando nos deparamos com o perigo de perder a proteção dos pais, seu amor. Desde cedo, fazemos de tudo para deixar nossos pais felizes e evitar assim uma eventual ruptura com eles. Por exemplo, se o pai é negligente, a criança sente ameaçada a ligação que os une. O que ela faz? Ela acaba mudando as únicas coisas sobre as quais tem controle: seus pensamentos e sentimentos. Ela tenta fazer o ambiente parecer normal para se sentir segura nele. No caso citado, ela passa a achar natural a falta do pai. “Ela passa a achar que solicitar uma atenção especial é proibido, é pedir demais”, diz Bader.
“Não só aceita a negligência, como faz parecer que a culpa é dela, não de seus pais. Parece que ela quer demais.” Assim, a criança busca manter a segurança no relacionamento familiar. “Essas experiências fazem surgir crenças patológicas que nos induzem a pensar que, se perseguirmos nossos objetivos, estaremos arriscando a ligação com nossos pais ou ameaçando nossa segurança psicológica”, afirma o psicanalista. É sabido, por exemplo, que crianças que sofrem abuso dos pais se negam a condená-los. Por quê? Isentando os velhos, não há como perdê-los.

A sensação de culpa é apenas uma dessas crenças patogênicas. Vergonha, rejeição, desamparo e autodestruição são outros sentimentos da lista. Há duas culpas mais comuns: a) de magoar a quem amamos se formos mais felizes ou mais bem-sucedidos que eles; b) de ferir ou esvaziar nossa família se a deixarmos.
O que isso tem a ver com sexo? Com maior ou menor intensidade, todo mundo revive o passado no presente. E, conforme a teoria de Bader, a excitação sexual depende da nossa capacidade de nos centrarmos em nós mesmos, de sermos momentaneamente egoístas. Mas como conseguir isso, se o nosso passado de culpas nos assombra nessa hora? Ao nos sentirmos culpados, nos inibimos, e aí a conquista do prazer vira um martírio.

Segundo o psicanalista, o apego aos próprios devaneios e, por extensão, uma certa “coisificação” do parceiro são necessários para a excitação – mas também é preciso pegar leve com esses sentimentos. Para atingir o prazer máximo, diz ele, o ideal é haver uma certa tensão entre ser egoísta e cuidadoso, entre usar o parceiro e dar prazer a ele. O problema surge quando um dos envolvidos não consegue nenhum grau de impiedade, de rudeza.

Fantasias mais comuns




Não há como associar automaticamente uma fantasia específica a um determinado conflito psicológico. Ainda assim, e mesmo advertindo que generalizações são um passo para o erro, Bader afirma ser possível estabelecer alguns padrões.

Preferências por tipos físicos


Homens altos: simbolizam força, alguém que dificilmente será ferido ou magoado e de quem o parceiro pode depender. Para uma mulher que suspeita poder esmagar um cara (em vários sentidos), esse atributo a deixaria bem mais tranqüila para curtir o próprio tesão.

Mulheres gordas: podem simbolizar fartura, abundância, fertilidade. Uma pessoa que se excita com esse biótipo imagina que a mulher tenha muito a dar, especialmente em atributos maternos; que seja alguém capaz de neutralizar seus sentimentos de privação. Para ele (ou ela), essa mulher pode ser uma pessoa tão cheia de recursos que é incapaz de ser ferida, daí mitigando seu sentimento de culpa. Ele (ou ela) também pode pensar: “Com esse tamanho, ela não tem do que reclamar...” e se sentir mais leve para se excitar.

Peitos grandes: também podem simbolizar a mulher com muito para dar, compensando sentimentos de privação e desligamento. Homens com certo desdém secreto por mulheres – que se sentem culpados por esse sentimento – podem inconscientemente exagerar sua admiração pelo atributo mais óbvio da feminilidade, os seios.

Pênis grande: esse fetiche simboliza, antes de tudo, força. Um homem forte neutraliza várias culpas. Mais: quando uma pessoa fala em “ser arrombada” ou “preenchida”, pode estar tratando com simbolismos de satisfação, abastecimento, cuidado – sensações que combatem sentimentos de privação.



Deformações, mutilações e invalidez: para homens, uma mulher inválida pode diminuir sentimentos de culpa inconsciente, uma vez que, já incapacitada, na fantasia ela não mais pode ser machucada. O processo mental que funciona aqui é o mesmo que se passa na cabeça de quem se excita com mulheres gordas: sem atrativos extras, as parceiras não teriam do que reclamar, deixando o homem com menos medo de rejeição. As mulheres que sentem atração por homens inválidos ou “defeituosos” se deixam levar pelo mesmo astral psicológico, com um adendo: homens incapacitados não podem feri-las, o que lhes permite se excitar em segurança.

Mulher que se excita com gays: ela pode se sentir sexualmente mais agressiva, já que supõe que sua iniciativa não terá reciprocidade. São mulheres que sentem medo de serem subjugadas ou rejeitadas e também de surpreender negativamente o homem com a força da sua sexualidade. Há ainda o fator desafio: a mulher se sente especialmente atraente se conseguir fazer um homossexual agir como heterossexual.

Voyeurismo
Olhar outros transando é só uma das maneiras de o voyeur se motivar. Ele pode se excitar com uma simples espiada por baixo da saia de garotas ou espreitá-las na intimidade. O que rola nesses casos? A excitação da “espiadinha” reside, primeiro, no fato de que aquilo é proibido. A mulher estaria entregando seus segredos. Segundo, o voyeur é um cara que pode carregar culpa por se interessar pelo corpo feminino: a mulher, na cabeça dele, se sentiria ofendida por tal demonstração. Sabendo que a moça não vai perceber o que ele faz – e assim não pode se opor –, a culpa vai para o espaço. Não só a culpa, mas também a rejeição pode ser o motor do voyeur. Algumas crianças acham que não são bem-vindas no contato com a mãe e sentem-se rejeitadas. Na fase adulta, esse sentimento é compensado pela espiadinha. Ou seja, é um momento roubado de uma mulher, antes negada a ele. Com o sentimento de rejeição neutralizado, a excitação ganha corpo.

Sexo grupal






O ménage à trois, com um homem e duas mulheres, é a forma de sexo em grupo mais conhecida, mas há inúmeras variações. O que se depreende do sexo em grupo é:
• A pessoa que fantasia está buscando atenção, portanto tentando derrubar a crença patogênica de que não merece ser admirado, amado.
• O fato de transar com vários ao mesmo tempo pode mitigar o sentimento de culpa que algumas pessoas têm por sobrecarregar o parceiro com seu apetite sexual.
• Com a presença de dois homens, a suposta responsabilidade de satisfazer a mulher é dividida.
• Se a responsabilidade de um parceiro sobre o prazer sexual do outro diminui, o perigo de rejeição cai na mesma proporção.
• Quando um homem assiste a uma cena lésbica, ele não está diretamente envolvido, portanto ele não corre o risco de falhar.
• Se um homem ou mulher tem desejos homossexuais, mas se sente culpado por isso, olhar ou participar de sexo grupal pode ser um caminho para driblar essa culpa.
Todas essas situações favorecem a segurança psicológica do integrante, o que o libera para sentir prazer.

Homem que veste calcinhas
É provável que ele esteja tentando superar a culpa por exercer algum poder, por exercer sua masculinidade. E por que se sente culpado dela? Talvez por ter crescido com um pai fraco ou inútil ou uma mãe infeliz e invejosa dos homens. Quando criança, pode ter encontrado dificuldade para sentir orgulho da sua masculinidade, pois inconscientemente estaria magoando seus pais. Por exemplo, um filho pode crescer culpado por se sentir superior a uma mãe sobrecarregada ou oprimida, e, mais tarde, às mulheres em geral. E como vestir calcinha resolve o pepino? Por um processo chamado pelos psicanalistas de “identificação com a vítima”. Como a masculinidade em vários momentos tem sido equiparada ao ato de oprimir a mulher, as calcinhas fazem esse homem assegurar às mulheres – originalmente sua mãe – que ele, em particular, não é superior. Com a culpa aliviada, a ereção começa a surgir.

Fraldas e comportamento de bebê
Sabe-se que um bebê deve receber atenção e tem o direito de ser egoísta. Sim, mas o que isso tem a ver com um cara ou uma mulher que gosta de vestir fraldas e de ser tratado como bebê (os homens, até mesmo, mamando)? A chave está na ausência de responsabilidade – especialmente a de fazer a mulher feliz, meta que pode ser pesada e angustiante. Quando “amamentado”, o homem se sente numa situação psicológica confortável para pedir e receber algo de uma mulher – sem culpa ou vergonha.

Exibicionismo






Por que, afinal, filmar a própria transa ou se exibir para uma câmera excita? Porque a pessoa se sente gratificada pela atenção. Aqui, identifica-se uma tentativa de controlar sentimentos de rejeição e descaso. Uma pessoa que não foi o foco da atenção dos pais, por exemplo: ser olhada por uma câmera compensa a sensação de que não é merecedora de atenção, o que lhe permite o florescimento do tesão.
No caso dos flashers (homens exibicionistas que gostam de chocar mostrando a genitália a mulheres), a coisa é uma pouco diferente. O cara pode estar querendo controlar justamente sua vergonha. Como? Da mesma forma que gente que sente medo de altura salta de bungee jump para domar seu temor. O sujeito que mostra o pênis – a fonte da sua vergonha, insegurança – pode estar tentando controlá-la. Uma segunda leitura sugere que exibicionismos desse tipo podem ser um ato de compensação pelo fato de o sujeito ter sido rejeitado ou não ter recebido a devida atenção dos pais. Com um “flash” da sua genitália, ele provoca choque, nojo e medo da mulher. Deixa de ser, ainda que por alguns momentos, invisível ou negligenciado. A partir daí, se sente seguro para se excitar.

Estupro






Mais comum nos homens, a fantasia do estupro ocorre de duas maneiras. Na primeira, a mulher a princípio luta contra a agressão, depois acaba gostando e goza. O significado: o “estuprador” está tentando controlar sentimentos de culpa por magoar ou ferir outras pessoas, geralmente mulheres. Ele cria uma fantasia em que parece estar machucando a parceira, mas, na realidade, não está – afinal, ela aceita a agressão e não se fere. A outra forma de fantasia com estupro não depende da excitação da mulher. A carga erótica é justamente depositada na agressão. O estuprador se excita não porque supera a culpa, mas porque tem o poder de ferir e amedrontar a mulher. Essa pode ser a fantasia que motiva a maioria dos estupros reais. Nesse caso, ocorre o que os psicanalistas chamam de “identificação com o agressor”.
O estuprador, na fantasia ou na realidade, está fazendo à mulher aquilo que ele já vivenciou, de alguma maneira. Ao se tornar o agressor, ele pode sentir-se momentaneamente aliviado do medo e do desamparo (de que foi vítima), que são inimigos da excitação.

Mestre e escravo
É uma fantasia similar à do estupro – isto é, o mestre age de forma egoísta e rude, sem conseqüências negativas, sem dor de consciência e superando a culpa, já que a vítima também fica excitada. Mas aqui há uma outra dinâmica, crucial em qualquer relação sexual: o mestre e o escravo dão um ao outro uma atenção e um reconhecimento especial, que neutralizam a eventual sensação de alguém se achar pouco importante (resultado de rejeição, por exemplo). Mesmo o escravo, que prefere receber atenção negativa a ser ignorado.

Estupro coletivo
Filmes pornográficos abusam dessa fantasia. Aqui, vê-se a mesma fonte libertadora da excitação sexual: a segurança. A responsabilidade se transfere do indivíduo para o grupo. Na fantasia, ao contrário da violência levada à prática, o estupro se torna um ato consensual entre uma mulher promíscua e vários homens. E isso é o que deixa os homens à vontade para expressar a sua sexualidade sem medo de ferir a mulher.

Escatologia
Alguns homens sentem-se excitados sexualmente pelo fato (real ou imaginário) de alguém, normalmente uma mulher, urinar (golden shower) ou defecar (brown shower) sobre eles. Um garoto que cresce sentindo-se culpado por desprezar a mãe ou se envergonhar dela reverte essa situação dolorosa ao expor a si próprio como objeto de desprezo e degradação. Urina e fezes são a representação simbólica do sentimento de hostilidade que uma vez foi dirigido a uma mulher, mas agora estão sendo recebidos de uma mulher.



Resumindo: nos jogos amorosos, vale tudo para vencer os medos e sentimentos broxantes. E, convenhamos: depois de ver os caminhos que a excitação de cada um percorre para vencer o medo e a culpa, aquela sua fantasia já não parece tão estranha ou merecedora de culpa, não?

Fonte;Superinteressante de 2002.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ejaculação Precoce


"A Ejaculação Precoce, definida como a incapacidade de controlar ou adiar suficientemente a ejaculação, para que os parceiros achem prazer nas relações sexuais, é um problema que aflige grande parte dos homens, principalmente os adolescentes no inicio da atividade sexual. Quanto mais cedo for procurada ajuda mais fácil o tratamento".

Histórico

Em outras épocas, autores discutiram os conceitos psicossexuais predominantes, começando com o ponto de vista de Abraham (1917/1949) de que a EP (Ejaculação Precoce) era uma reprodução da enurese infantil. Mas, Shapiro, em 1943, constatou que, de 1.130 casos de EP, apenas 8% tinham história de enurese.

Outros acreditavam que a EP estivesse relacionada com a histeria, em pessoas de orientação predominantemente homossexual e que experimentavam culpa pela masturbação.

A teoria psicanalítica considera a prematuridade um sintoma neurótico e, como tal, suscetível apenas de tratamento psicanalítico.

A teoria freudiana da causalidade propõe que o ejaculador prematuro esconde sentimentos sadistas intensos, mas inconscientes, em relação às mulheres.

Ejaculação Precoce


Atualmente, sabemos que tal como o mecanismo do orgasmo na mulher, a ereção e a ejaculação em um homem ocorrem quando um estímulo genital adequado ativa as vias nervosas da medula espinhal inferior.

A sensibilidade dessas vias é, por sua vez, aumentada ou diminuída por mensagens que descem a medula espinhal, oriundas do centro sexual do hipotálamo, na base do cérebro.

A ejaculação precoce é um tipo de infortúnio que parece desenvolver-se muito cedo na vida sexual do homem. Muitos, quando adolescentes, ficam condicionados a um rápido gozo na masturbação, por ser esta uma atividade secreta, escondida, perseguida pela culpa e pelo medo da descoberta.

Este impulso na direção do desempenho rápido geralmente é transferido para a primeira experiência com o sexo oposto; acrescente-se aí o fato muito comum de visitarem prostitutas, cujo principal interesse não é a realização sexual do parceiro, e sim um breve intercurso.
Ou, o que é mais freqüente nos dias de hoje, a primeira relação sexual de um rapaz pode acontecer no banco de trás de um automóvel, de um jeito apressado, não planejado, ou num sofá, na casa da garota, com o medo premente de que os pais dela possam voltar a qualquer momento.

Em todas essas situações acha-se presente não somente a excitação sexual, mas também uma boa dose de desempenho rápido. Esses são alguns pontos primários que seguem a EP.

Situações que podem gerar posteriormente a EP são apresentadas quando o homem alimenta sentimentos hostis de desconfiança ou de insegurança, de despeito frente à "luta pelo poder" etc., em relação a sua esposa, ou coito num relacionamento clandestino, onde predominam sentimentos de culpa.

Outra situação semelhante é quando se usa do "coito interrompido" para evitar a gravidez. Além de não ter valor como preservativo, há aumento do nível de ansiedade.

Ações provocantes da parceira, a percepção de que ela deseja fazer sexo (caça x caçador), a "ditadura do orgasmo", a mulher deixando de ser "objeto" e passando a ser "sujeito", as circunstâncias de inibição (defeitos físicos, mito do pênis pequeno etc.), que são eventos regulares e previsíveis e algumas vezes normais, tornam-se subitamente caóticos e imprevisíveis quando a atividade hipotalâmica é lançada num estado de desorganização por excesso de ansiedade.

As mensagens do centro cerebral tornam-se irregulares e aleatórias, e podem deflagrar uma ejaculação precipitada.

Podemos pois afirmar que, quando a ejaculação precoce aparece desde os primeiros encontros sexuais, esta deriva de experiências condicionantes adversas na infância, resíduos de culpas adquiridas durante a masturbação na adolescência e/ou das primeiras vivências sexuais, onde predominaram: uma grande expectativa, elevada excitação sexual, alta ansiedade e pouca habilidade, gerando alguns "desastres", em resposta ejaculatória, pois nesse caso a incontinência pode ser indicativa de doença séria e/ou tratável.

Embora tais casos sejam extremamente raros, essa condição pode ser causada por enfermidade local da uretra posterior ou, como ocorre com a perda súbita do controle urinário, a incontinência ejaculatória secundária pode ser sintomática de patologia ao longo do trajeto do nervo, que serve aos mecanismos do reflexo que controlam o orgasmo (medula espinhal, nervos periféricos ou centros nervosos superiores).

Isto pode ocorrer na esclerose múltipla ou em outros distúrbios neurológicos degenerativos.

Entretanto, causas orgânicas são muito raras, principalmente em homens jovens e/ou aparentemente sadios.

Tratamentos

Devido à dificuldade em definir e identificar a causa da ejaculação precoce, temos também uma dificuldade em propor o tratamento mais adequado e que solucione o problema a curto prazo.

De qualquer forma, o tratamento deve visar um aumento do período de latência ejaculatória, independentemente da causa parecer ser biológica ou psicológica.

Apesar da angústia e sofrimento do paciente com o problema, é necessária a contínua obtenção de dados e informações. Entre estes se destacam o perfil médico e o sexual.

A pesquisa de informações sobre o paciente possui não somente caráter diagnóstico, como também visa elucidar as causas psicológicas e biológicas da EP, que compõe sua etiopatogenia. O diagnóstico mais comum enquadra distúrbios de fundo psicológico, como traumas, tensão e estresse, e de caráter biológico, como cirurgias pélvicas ou urológicas e medicações em uso.
Uma investigação clínica completa deve conter dados sobre: a história clínica do paciente (como mencionado acima); sua função ejaculatória (tempo de latência, controle), sua atividade sexual (freqüência, avaliação detalhada de sua parceira, interação sexual, etc.), perfil psicológico (contexto sócio-cultural, histórico da disfunção, relação com situações específicas, etc).

A partir de um quadro detalhado, que contenha os dados acima expostos, o médico poderá optar por um tratamento mais individualizado, que atenda melhor o paciente dentro do contexto próprio de sua doença.
As opções de tratamento são muitas. Incluem as inúmeras formas de psicoterapia e várias opções farmacológicas. Todos possuem indicações específicas, e somente um profissional capacitado está habilitado a indicar a melhor terapia para cada paciente.

Tratamento farmacológico
Na década de 60 notou-se que os antidepressivos possuíam como efeitos colaterais o retardo ou a inibição completa da ejaculação e do orgasmo. Atualmente há uma variedade de antidepressivos no mercado que possuem menos efeitos colaterais e melhores resultados.

Um medicamento representante dos antidepressivos, indicado para tratamento da EP, é a clomipramina. Este medicamento alcançou aumentos médios no tempo de latência de 2 a 7 minutos. Entretanto, os estudos com clomipramina relatam que 10 a 30% dos pacientes não respondem bem à droga. Pacientes com EP complicada por insuficiência erétil (dificuldade de ereção) não alcançam os mesmos resultados. A fluoxetina e a paroxetina também apresentam efeitos da inibição ejaculatória. Estas drogas apresentam menos efeitos colaterais, parecem interferir muito pouco com o desejo sexual e com a ereção, no entanto não são tão eficazes quanto a clomipramina. Conclui-se que a clomipramina parece ser a opção mais eficaz para inibir a resposta ejaculatória, mas pode não ser bem tolerada por muitos pacientes, e deve ser bem avaliada sua indicação.

Tratamento Psicológico
As causas psicológicas aventadas para a explicação da EP são várias. Entre elas está a hostilidade reprimida à mulher, o medo de perda importante da autoconfiança durante o ato sexual, bloqueios quanto a percepção da própria sexualidade e problemas na disputa pelo poder pelo casal, entre outras. Existem teorias que enfocam a ansiedade, geral ou específica ao ato sexual. Tal ansiedade foi criada, e até mesmo condicionada, pelo impacto das experiências anteriores, excepcionalmente rápidas devido a circunstâncias adversas. Poucas pesquisas clínicas disponíveis apóiam uma ou mais das suposições citadas acima.

Intervenções Comportamentais - As intervenções comportamentais e cognitivas demonstram maior eficácia. O método comportamental "stop-squeeze" (pára-comprime) é um exemplo. Esse método sugere que o homem avise a sua parceira quando sentir a vontade de ejacular aproximando-se. Neste ponto interrompe-se o ato sexual e a mulher aplica pressão manual na glande do pênis, até ocorrer redução da vontade. O método de "pára-comprime" pode ser treinado, inicialmente, com a masturbação.

Outro método, o "start-stop " (começa-pára), para o tratamento da Ejaculação Precoce, utiliza uma pausa, ao invés de um aperto no início da fase ejaculatória. Acredita-se também que a posição durante a relação sexual, com a mulher por cima ou a posição lateral, permitem um maior controle da ejaculação.
A terapia ambulatorial semanal resulta em um alto índice de sucesso (80-90%), em homens com Ejaculação Precoce. Os terapeutas sexuais apresentaram, com o passar do tempo, suas próprias variações desses métodos ou mesmo a criação de novos métodos.

Para o sucesso, apesar da variedade de métodos, o homem deve estar atento quanto as suas sensações sexuais para saber exatamente quando interromper o movimento. O casal deve ter habilidade para abordar amplamente a expressão sexual e criatividade durante o ato. A participação da parceira é de grande importância na solução do problema.

Varias outras abordagens podem ser utilizadas no tratamento da ejaculação precoce, entre elas estão Tratamento em grupo e o tratamento psicoterápico individual.

O Tratamento em grupo é um tipo de tratamento para a Ejaculação Precoce cujos dados são ainda contraditórios. Alguns se beneficiam ao saberem que seus problemas sexuais não são exclusivos, ao saberem como outros casais também lidam com esses problemas. Por outro lado, a maioria dos homens considera a Ejaculação Precoce um problema altamente particular e não se sentem à vontade em discutir o assunto na presença de outros casais, tornando esta forma de tratamento inviável.

O Tratamento psicoterápico individual não é tão bem sucedido quanto o trabalho feito com os casais. O tratamento individual, na ausência da parceira, diminui a possibilidade de utilização de técnicas como, por exemplo, o "começa-pára" e o "pára-comprime".Estas técnicas, no entanto, podem ser adaptados para a masturbação. Mas a presença da parceira facilita significativamente o tratamento.

Finalmente, é importante salientar, que a principal arma para o tratamento, é o reconhecimento do problema, pesquisa de suas causas e ajuda de um profissional capacitado, pois sabemos que a utilização de técnicas folclóricas e caseiras não trazem resultados e podem agravar o quadro. A ejaculação precoce é um problema comum e de grande repercussão na vida sexual do casal.

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